actuallygrimes:

this song is really relaxing and i love the dancer he has onstage

Capivara (Hydrochoerus hydrochaeris). Em processo. Aquarela e aguada de acrílica.

Capivara (Hydrochoerus hydrochaeris). Em processo. Aquarela e aguada de acrílica.

A vida prossgue, e a pesquisa também. Ao novo ciclo que chega, um cumprimento cheio de esperanças!

A vida prossgue, e a pesquisa também. Ao novo ciclo que chega, um cumprimento cheio de esperanças!

Ressonar Insular

Autoria, edição e desenho de som: Breno Filo

Técnica: Video-mapa

Duração: 4’21”

Ano: 2013

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Em resposta aos constantes tsunamis cotidianos, crio um mapa composto por fragmentos de mutualismo e afetividade com o espaço. Me torno força e corpo capaz de enfrentar, modificar e anular tempo e espaço. Através das cíclicas correntes marítimas, e inconstantes tremores subterrâneos de resistência e vontade de potência, desejo emergir à superfície este video, que também é carta-marítima, da qual ressonam ondas, memórias e encantos. Para uma ilha alternativa de resistência, reencontro e reconstrução de saberes e forças.

Deleuze aproxima o pensamento de “separação” e “recriação” existente nos próprios seres humanos, a partir da conceituação das ilhas desertas. E sugere um destacamento consciente do restante do mundo, com o objetivo de criar meios de reprogramar a relação sensível com a existência, e assim transforma-la. Em concordância, relaciono o reconhecimento do espaço da ilha de Cotijuba, costumeiramente visitada por mim, junto aos meus amigos, como alicerce tectônico para a construção de uma possibilidade territorial, a partir da documentação de alguns momentos de afeto vividos nesta pequena incursão.

Seu mapeamento constitui-se de deslocamentos, nos quais residem a necessidade de retorno à calmaria dos momentos de plenitude do pretérito carnal, transpostos em domínios cartográficos. Recortes de trilhas e fronteiras compostas por pessoas, objetos, materiais, personagens e luminosidades encontrados, coletados e destacados dos continentes da memória cotidiana. Redesenhados de modo a se tornarem um paraíso necessário. Fuga banhada em águas, que ressoam em saudades. E assim compartilhados. Uma transmutação alquímica de movimentações em domínios, sob a forma de um ecossistema consciente, projetada contra a parede.

Extremamente acessível para quem quiser encontrar e transformar seus próprios espaços insulares. Pois só reconhece seu espaço quem transita por ele. Não como meros espelhos de suas propriedades carnais, recomposições da propriedade material e espiritual tirana de uma sociedade Robinson Crusoé. Sem moralismo, sem hipocrisia, muito menos poluição egocêntrica, costumeiramente contaminada por palavras e atitudes violentas contra as matérias-primas de sua subsistência.

Ilha laborátório. Para insular e experimentar. Buscar algum equilíbrio.

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Prêmio Salão Sesc Universitário de Arte Contemporânea 2013

A Galera. Fotomontagem para Zine “Contra o Poder”. 2013.

A Galera. Fotomontagem para Zine “Contra o Poder”. 2013.

“2. a) A amizade pode ter como origem um instinto de sobrevivência, com a necessidade de proteger e ser protegido por outros seres. b) Muitas vezes os interesses dos amigos são parecidos e demonstram um senso de cooperação. c) Há pessoas que não necessariamente se interessam pelo mesmo tema, mas gostam de partilhar momentos juntos, pela companhia e amizade do outro, mesmo que a atividade não seja a de sua preferência. 3. Amizade como política a) Se dá a partir da criação de novas imagens e metáforas que possam politizar por meio de sentimentos. b) Procurando novas alternativas para uma imaginário ortodoxo que tem as imagens fraternais e da família como dominante nas relações de amizade fazendo uma crítica sobre a despolitização da sociedade e do esvaziamento do espaço público a partir da lógica individualista do consumo.” (BARROS, Bruna Suelen. [nu]-: Aparelho: Relatos Sobre Coletivo, Arte e Colaboração. 2013.)

“2. a) A amizade pode ter como origem um instinto de sobrevivência, com a necessidade de proteger e ser protegido por outros seres. b) Muitas vezes os interesses dos amigos são parecidos e demonstram um senso de cooperação. c) Há pessoas que não necessariamente se interessam pelo mesmo tema, mas gostam de partilhar momentos juntos, pela companhia e amizade do outro, mesmo que a atividade não seja a de sua preferência. 3. Amizade como política a) Se dá a partir da criação de novas imagens e metáforas que possam politizar por meio de sentimentos. b) Procurando novas alternativas para uma imaginário ortodoxo que tem as imagens fraternais e da família como dominante nas relações de amizade fazendo uma crítica sobre a despolitização da sociedade e do esvaziamento do espaço público a partir da lógica individualista do consumo.” (BARROS, Bruna Suelen. [nu]-: Aparelho: Relatos Sobre Coletivo, Arte e Colaboração. 2013.)

"Sou o filho mais velho dos três filhos de meu pai. […] Me refugio em suas histórias também. Tendo décadas de experiência como piloto e professor de artes da marinharia, não faltam relatos sobre suas incursões e demandas, vivenciadas em todos os oceanos. Objetos e souvenires mantidos até hoje testemunham, e por vezes ilustram cada memória… como a do Réveillon à bordo, com o navio em alto-mar com a vista do Monte Fuji explodindo em comemorações, ou os costumeiros estranhamentos culturais e gastronômicos nos restaurantes das cidades portuárias. Ao se esforçar em me tornar um navegador, acabou derramando em meu coração o oceano, por acidente. Cada história ou canção de outro país tocada no toca-fitas, ou cantarolada pela casa, cada imagem ou objeto deixado ao sabor da decoração de casa, foram acendendo aos poucos em minha existência a vontade de viver em deslocamento pelo mundo.”

Parque do Utinga. 2013. Arquivo Pessoal.

"Sou o filho mais velho dos três filhos de meu pai. […] Me refugio em suas histórias também. Tendo décadas de experiência como piloto e professor de artes da marinharia, não faltam relatos sobre suas incursões e demandas, vivenciadas em todos os oceanos. Objetos e souvenires mantidos até hoje testemunham, e por vezes ilustram cada memória… como a do Réveillon à bordo, com o navio em alto-mar com a vista do Monte Fuji explodindo em comemorações, ou os costumeiros estranhamentos culturais e gastronômicos nos restaurantes das cidades portuárias. Ao se esforçar em me tornar um navegador, acabou derramando em meu coração o oceano, por acidente. Cada história ou canção de outro país tocada no toca-fitas, ou cantarolada pela casa, cada imagem ou objeto deixado ao sabor da decoração de casa, foram acendendo aos poucos em minha existência a vontade de viver em deslocamento pelo mundo.”

Parque do Utinga. 2013. Arquivo Pessoal.

"Então fugia para a minha mãe. Amiga e confidente, protetora e sensível, sempre se interpôs entre eu e qualquer um que ousasse me machucar quando pequeno. E a recíproca é verdadeira. Seu instinto é forte, e ainda que eu não tenha expressado nada diretamente, sua atitude é quase sempre coerente ao meu estado de espírito. Poucas pessoas leem meus sinais do corpo como ela o faz. Afinal, foi meu primeiro abrigo, em suas entranhas realizei meu primeiro deslocamento, quando vim ao mundo, por sua escolha de me permitir viver e fazer de sua vida a minha morada, e parâmetro de todas as suas decisões, entre vida e morte.
Ao reconhecer suas qualidades em proximidade, também senti em muitos momentos a necessidade de me distanciar dela, deixa-la viver suas aventuras, visto que a maternidade lhe ocorreu quando jovem.”

Cotijuba. 2013. Arquivo Pessoal.

"Então fugia para a minha mãe. Amiga e confidente, protetora e sensível, sempre se interpôs entre eu e qualquer um que ousasse me machucar quando pequeno. E a recíproca é verdadeira. Seu instinto é forte, e ainda que eu não tenha expressado nada diretamente, sua atitude é quase sempre coerente ao meu estado de espírito. Poucas pessoas leem meus sinais do corpo como ela o faz. Afinal, foi meu primeiro abrigo, em suas entranhas realizei meu primeiro deslocamento, quando vim ao mundo, por sua escolha de me permitir viver e fazer de sua vida a minha morada, e parâmetro de todas as suas decisões, entre vida e morte.

Ao reconhecer suas qualidades em proximidade, também senti em muitos momentos a necessidade de me distanciar dela, deixa-la viver suas aventuras, visto que a maternidade lhe ocorreu quando jovem.”

Cotijuba. 2013. Arquivo Pessoal.